U-REPORT BRASIL
ENTREVISTA COM ANA JULIA RIBEIRO, SECUNDARISTA DO PARANÁ
Nov. 2, 2016
POR U-REPORT BRASIL
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A HISTÓRIA CONTINUA


Qual a sua expectativa de resultado das ocupações nas escolas brasileiras?

Minha expectativa é que se consiga abrir um canal de diálogo e que não se concretize a medida provisória [MP de reestruturação do ensino médio (MP 746/2016)]. Eu espero realmente que os estudantes sejam ouvidos, que os funcionários e que os profissionais da área da educação sejam ouvidos e que tenham a oportunidade de estudar e debater a medida provisória.


Qual a sensação de tornar-se referência para diversos jovens que ainda não tinham se posicionado politicamente e que agora, com acesso ao seu vídeo, conseguem compreender o poder da voz de adolescentes e jovens na sociedade?

Bem, é uma sensação totalmente nova e inesperada, eu realmente fico muito lisonjeada  que os estudantes tenham se sentido representados e que tenham percebido como é importante nos posicionarmos politicamente, como é importante irmos atrás dos nossos direitos e fazermos essa articulação, esse diálogo entre a nossa realidade e a realidade que eles querem que a gente acredite.

Com que idade e como você descobriu o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e outros marcos legais dos direitos de adolescentes? 

Não sei ao certo com que idade descobri o ECA. Eu lembro que eu estava escola, se não me engano era no ensino fundamental ll e foi passada uma cartilha sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente, bem didática, em história em quadrinhos e eu lembro que eu li, me interesse e gravei ali algumas coisas. Depois disso eu acabei me interessando mais ainda por política, por direito, tanto que é o curso que eu pretendo fazer. E eu acabei indo atrás de saber um pouco mais disso.

Quais foram/são suas principais referências (pessoas ou fontes de informação) para construção do discurso e do pensamento sobre direitos?

Não tem uma pessoa em si ou algo concreto, mas quando eu fiz um trabalho pra escola sobre Direitos Humanos, eu me encantei com aquilo e eu percebi que queria viver numa sociedade que tivesse direitos humanos, queria viver numa realidade que abordasse aquilo e eu vi que pra gente alcançar isso a gente tem que lutar por uma educação de qualidade. 


Qual a sua principal mensagem para os estudantes brasileiros? 

Que eles continuem tomando consciência e que não deixem esse movimento morrer assim. Que a gente consiga realmente entender como é importante a nossa participação na vida política, que nós nos enxerguemos como cidadãos, como pessoas que têm que ser atuantes nas causas sociais. 


O que você acha que o Estado deveria fazer como resposta ao movimento dos estudantes brasileiros? 

Eu acho que como resposta o Estado realmente deveria abrir um canal de diálogo e ele deveria recuar com essa proposta de reforma do Ensino Médio.


Qual o papel dos professores para preparar os estudantes para o debate político?


O papel do professor nisso é mostrar a importância do jovem, do adolescente, do estudante para que ele se veja como parte da sociedade, como integrante, atuante e engajado. O professor precisa levar esse debate político para dentro de sala de aula, ele precisa mostrar a importância disso e precisa mostrar que o jovem, o estudante tem que se colocar na sociedade. Quando ele se sente integrante na sociedade, se vê como cidadão, ele começa a participar dessa vida política e a perceber a importância que isso tem.


Como você está se sentindo após o momento com os deputados?

Agora que entrei num turbilhão de novidades na minha vida, eu não sei nem descrever como estou me sentindo, mas eu digo que é uma surpresa tudo isso pra mim e que eu vou tentar agir da melhor forma possível.


Foto: MPF/Mídia Ninja


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