EDUCAÇÃO
E a participação na escola, como fica?
23 de Novembro de 2017
POR THAIS SANTOS
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A HISTÓRIA CONTINUA

Nas últimas semanas trabalhamos no U-Report a participação dos estudantes nos processos de decisão na escola. Você já ouviu falar de gestão democrática? É uma diretiva prevista pelas principais Leis, documentos e organizações que falam sobre a Educação Básica no país. Esse modelo de administrar as escolas pressupõe a participação efetiva de vários segmentos da comunidade escolar - os pais, os jovens, os funcionários - em todos os aspectos da organização escolar. Assim, pensar sobre gestão democrática é compartilhar da importância fundamental da participação cidadã de jovens e adolescentes, que podem e devem ser chamados a participar dos espaços formais de poder, conselhos de direitos, conferências, etc.  

Os grêmios, por exemplo, são um dos tipos de espaços formais de participação social nas escolas, espaços auto-organizados onde os estudantes podem promover discussões, refletir sobre as demandas que têm na escola, pensar formas de entretenimento, entre muitas outras coisas que um espaço como esse pode realizar. Desde 1985 são amparados pela Lei dos Grêmios Livres, que garante a livre organização de estudantes secundaristas para fins educacionais, culturais, políticos, etc.

Por isso queríamos saber a opinião dos U-Reporters sobre os espaços de participação nas escolas, através dos grêmios, por exemplo. Principalmente porque o discurso mais senso comum diz que adolescente e jovens não estão muito preocupados com suas escolas,  bairros, etc. Assim, a primeira pergunta que realizamos foi: “Você acha que o estudante tem interesse em participar dos processos de decisão da escola?”, obtivemos uma resposta afirmativa de 79% dos U-Reporters. Ou seja, os adolescentes e jovens querem ser parte dos processos de decisão. Por exemplo, em 2017, durante as discussões sobre o Novo Ensino Médio e as reformas na grade era um importante momento para que fosse exercida a participação social dos interessados, 88% dos U-Reporters concordam com isso. Mas quando perguntamos se nas escolas existe algum espaço coletivo para os estudantes participarem, um número significativo de 46% respondeu que não. Os estados do norte foram os que apresentaram os números mais altos para não conhecer espaços de participação, por exemplo, 75% dos U-Reporters do Amazonas disseram não conhecer espaços assim. Enquanto nos estados do sul e sudeste a maior parte afirmou conhecê-los, no Paraná e Santa Catarina, por exemplo, 73% afirmaram conhecer. As disparidades regionais indicam que há muito para se trabalhar nesse sentido, sobretudo se pensarmos que o Plano Nacional de Educação, votado em 2014, que havia um prazo de dois anos para assegurar a gestão democrática da educação. Os adolescentes, de maneira geral, afirmam não conhecer iniciativas nos âmbitos municipais, estaduais ou federais para que possam se organizar e manifestar a própria opinião sobre política, educação e outros temas de seu interesse.

A última pergunta realizada foi: Se os estudantes sentem que têm voz dentro da escola, à qual 74% afirmou não acreditar ter voz. Um número alto e preocupante. Nós, do U-Report, seguiremos tentando construir espaços para fazer valer a voz do adolescente e jovem. Vamos pensar juntos?



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