DIREITOS REPRODUTIVOS E PREVENÇÕES
Em agosto U-Reporteres discutem Direitos Sexuais e Reprodutivos, apontam suas urgências e demandas!
5 de Setembro de 2017
POR THAIS SANTOS
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Na maior parte das vezes, nós pensamos que debater temas relacionados a nossa sexualidade é um assunto para com quem temos intimidade, nossos amigos mais próximos e parceiros sexuais, que não tem nada a ver com com o governo, leis etc. Mas, na verdade, a possibilidade de exercer livremente nossa sexualidade, bem como o desejo e possibilidade de ter ou não filhos, são um dos temas fundamentais que nossos governantes devem se preocupar e elaborar políticas públicas sobre. Chamamos este braço dos direitos humanos de “Direitos Sexuais e Reprodutivos”. Desde os anos 1990 e 2000, a discussão quanto a autonomia sobre a sexualidade passou a ser abordada dentro dos direitos humanos, possibilitando compreender as diversas experiências sexuais de adolescentes e jovens.Nesse sentido que esse mês nós queríamos conhecer um pouco mais dos conhecimentos e percepções dos U-Reporters sobre seus direitos sexuais e reprodutivos.

O público respondente da enquete, em sua maioria (48%) adolescentes entre 13 e 18 anos e uma parte (26%) de jovens entre 19 e 25 anos, são parte de uma juventude com vida sexual ativa ou não - 46% dos participantes afirmaram não ter uma vida sexual ativa. E que se identificam com sexualidades distintas das normativas, sendo 21% de pessoas bissexuais e 19% homossexuais, frente a 52% de heterossexuais. Os U-Reporters já chegaram pra dizer que aqui não vai ter espaço pra homofobia e bifobia! ;)

Quando falamos em direitos reprodutivos nos referimos ao direito de ter acesso a um serviço de saúde de qualidade para pode decidir se quer ou não ter um filho, além de promove um atendimento de qualidade quando se opte por tê-lo. Dentro disso, o acesso a informação de métodos anticoncepcionais, orientação para as situações vividas que se relacionem com a possibilidade de engravidar e, por fim, o direito ao controle sobre o próprio corpo.

Os jovens e adolescentes ainda utilizam camisinhas como método prioritário para prevenir gravidez, são um total de 53%, mas surpreendeu os 20% de respondentes que afirmaram não utilizar nenhum tipo de método. Métodos como pílula anticoncepcional (17%), injeção (8%) e DIU (6%) são outras formas que apareceram, ainda que com menor expressão.

É interessante pensar se os jovens estão tendo acesso à informações sobre prevenção. Esse ano, o Sinasc (Sistema de Informação sobre Nascidos Vivos) do Ministério da Saúde divulgou queda em 17% de grávidas adolescentes, apesar disso, a gravidez na adolescência é responsável por 18% dos nascimentos no Brasil. Ainda parece haver falta de conhecimento por parte dos adolescentes dos serviços oferecidos gratuitamente pelo sistema público de saúde. Inclusive, quando questionados sobre se sentiam que faltava informação ou acesso aos métodos, todos os jovens sinalizaram faltar informação confiável sobre onde estão disponíveis tais métodos.Os U-Reporters ainda assinalaram que em sua maioria (68%) não utilizam métodos de dupla-proteção. Isto é, métodos anticoncepcionais e de prevenção à IST’s, diante dos 35% que não utilizam métodos preventivos podemos sinalizar que os jovens estão mais atentos à possíveis gravidezes, mas não tanto às infecções sexualmente transmissíveis.

Os adolescentes indicaram também que em suas escolas tem havido essa discussão - 76% afirmou já ter havido discussão onde estudam -, ainda que 54% acredite faltar informação sobre saúde sexual e 27% acredite que falte acessar aos métodos. Ou seja, trabalhar mais na divulgação dos serviços oferecidos e produzir mais informação sobre formas de prevenir sejam as prioridades ao pensar em um público que se informa através da internet e de seus amigos. 95% desses jovens acredita que uma rede de informação seria fundamental. Ferramentas existentes do Governo como a Caderneta do Adolescente não é parte da realidade desses jovens, 78% não conhece a iniciativa. Assim, nos parece que há muito conteúdo produzido e um conhecimento mais pulverizado quanto ao uso da camisinha, mas ainda muito desconhecimento sobre as políticas públicas existentes e a prevenção de IST’s.


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