EDUCAÇÃO
Fique Sabendo Jovem: adolescente vivendo com HIV, diagnosticado pelo projeto, supera a depressão e torna-se um jovem mobilizador
Nov. 30, 2015
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Centenas de jovens aglomeravam-se na entrada de uma boate LGBT, localizada no centro de Fortaleza (CE), em mais uma noite de diversão e celebração da diversidade. Do lado de fora, o ônibus colorido estacionava, ofertando testes rápidos para HIV, sífilis e hepatites B e C.  No interior e no entorno da casa noturna, jovens voluntários circulavam distribuindo insumos com informações sobre prevenção contra as DST e convidando os presentes a realizar o teste.
Entre os jovens que foram à boate naquela noite, estava Bernardo*, 20 anos. Ele notou o movimento ao redor do ônibus, encontrou cartazes no interior da boate anunciando a ação do projeto Fique Sabendo Jovem naquela noite e resolveu fazer o teste pela primeira vez. "Esperei cerca de 30 minutos, e recebi o resultado". Bernardo tinha o HIV. E esse é o tipo de notícia que ninguém quer receber em uma noite de diversão.

"Na hora eu fiquei decepcionado comigo mesmo, só pensava que ia morrer. Fiquei descontrolado, tive uma reação muito ruim ao resultado, nunca pensei que eu pudesse ter HIV". A reação negativa de Bernardo encontrou apoio em Leandro, voluntário do projeto e, ele mesmo, um jovem vivendo com HIV. "Foi ele quem abriu os braços e me acolheu".
Os jovens cujo resultado do teste é reagente já saem do ônibus com a primeira consulta marcada e têm a opção de escolher o serviço de atendimento especializado mais próximo de sua residência. "Leandro me acompanhou na primeira, na segunda e na terceira consulta". Bernardo precisou ir com frequência ao infectologista no primeiro mês após o diagnóstico porque a doença já estava em estado avançado e era preciso aderir ao tratamento com antirretrovirais imediatamente. "Já me receitaram duas combinações de medicamentos, mas eu não estava me adaptando a nenhuma. Estava sendo difícil, entrei em depressão. Estou na terceira combinação, acho que agora vai dar certo". Hoje, mais tranquilo e com mais conhecimentos sobre o vírus, Bernardo vai às consultas sozinho. Em janeiro deste ano ele passou a fazer parte da Rede Nacional de Adolescentes e Jovens Vivendo com HIV/Aids (RNAJVHA), apoiada pelo UNICEF Brasil, e a participar ativamente das ações do projeto. "Eu quero poder ajudar outros jovens que possam ser diagnosticados com o HIV, dar o apoio que recebi naquele momento difícil".

O Fique Sabendo Jovem é um projeto do UNICEF em parceria com a Prefeitura de Fortaleza, Governo do Estado do Ceará, Grupo de Apoio à Prevenção à Aids (GAPA-CE), Rede Nacional de Adolescentes e Jovens Vivendo com HIV/Aids (RNAJVHA-CE), Rede Cuca, Prosa-UFC, Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE), Grupo ABC Vida e Central Única das Favelas (Cufa-CE). O projeto existe também em Porto Alegre, Rio Grande do Sul e, até o final de 2016, será expandido para outras quatro capitais.

*Nome fictício

Fortaleza, junho de 2015.

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